Quadrilha usava câmeras em postes para monitorar vítimas de roubos em mansões de São Paulo
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Imagens e áudios exclusivos mostram ação de assaltantes de mansões em São Paulo
Uma quadrilha especializada em invadir casas de alto padrão em São Paulo usava câmeras instaladas em postes para monitorar a rotina das vítimas antes dos crimes.
As imagens eram transmitidas em tempo real e permitiam acompanhar a movimentação nas residências “24 horas por dia”, segundo a investigação.
“Nós percebemos que eles tinham modus operandi de fazer um levantamento prévio dos alvos. Então, com levantamento de drones para sobrevoar, pesquisas de quem seriam as pessoas e, principalmente, o acesso que eles tinham aos imóveis que eles roubavam", disse o delegado Fábio Sandrini.
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De acordo com o Fantástico, o grupo enfrentava dificuldades para agir com olheiros nas ruas. Em bairros de alto padrão, a presença de pessoas desconhecidas chamava atenção e poderia comprometer os planos. Seria impossível usar os olheiros sem serem descobertos.
Para driblar esse obstáculo, os bandidos adotaram uma estratégia mais sofisticada: transformaram postes em pontos de vigilância.
Câmeras 24 horas foram instaladas para vigiar rotina das vítimas
g1
Os equipamentos eram instalados no alto das estruturas, garantindo uma visão privilegiada das casas. "Então eles aproveitavam ser de imóveis vazios ou para alugar ou em reforma ou propriamente de terrenos", continua Sandrini.
Com o monitoramento constante, a quadrilha conseguia identificar os melhores momentos para agir, como períodos em que os imóveis estavam vazios ou com menor circulação de pessoas.
Em uma das ruas monitoradas, os criminosos foram além: instalaram uma câmera em um poste, conectada à internet, para acompanhar a movimentação das vítimas 24 horas por dia. Com as informações em mãos, o grupo partia para a ação.
Segundo a polícia, o uso da tecnologia fazia parte de um esquema mais amplo de planejamento.
A tática ajudou o grupo a cometer uma série de invasões a mansões. Mesmo após prisões, o caso ainda preocupa moradores pela sofisticação do esquema. Os bandidos chegaram a participar de uma reunião de um conselho do bairro.
Criminoso acorda jovem para executar roubo
Fantástico
Violência e intimidação
Segundo a polícia, os crimes eram caracterizados por violência e ameaças. As invasões aconteciam durante a madrugada, enquanto as vítimas dormiam.
“Eles faziam uso de arma, ameaçando e obrigando as vítimas a informar onde estavam os objetos”, explicou Sandrini.
Um dos integrantes do grupo ficou conhecido pelo comportamento agressivo e exibicionista. Apelidado de “Terrorista”, ele gravava vídeos durante os assaltos — inclusive com famílias rendidas ao fundo — e chegou a disparar tiros para o alto.
As fugas também eram planejadas. A quadrilha contava com apoio de comparsas fortemente armadas, em carros blindados, para evitar abordagens policiais.
Depois dos roubos, os criminosos se reuniam para dividir os lucros. Vídeos mostram dinheiro e objetos espalhados pelo chão.
As investigações apontam que um dos líderes era responsável por negociar os produtos roubados com receptores.
Nem sempre os negócios davam certo. Em uma conversa, uma compradora recusa uma bolsa por suspeitar que fosse falsificada.
Prisão de "Bode", um dos chefes da quadrilha
Fantástico
Prisões e investigação
A polícia identificou pelo menos 25 pessoas envolvidas no esquema. Até agora, 16 foram presas. Entre os detidos estão integrantes considerados centrais na quadrilha, como um dos líderes e o homem conhecido como “Terrorista”.
Outro é "Minotauro", apontado como chefe do grupo, que foi preso em setembro do ano passado. Segundo a polícia, ele indicou onde estavam alguns dos itens mais valiosos roubados.
Entre eles, obras de arte — incluindo dois quadros do pintor brasileiro Alfredo Volpi — furtadas da casa de um colecionador.
Os investigadores afirmam que as peças não chegaram a ser vendidas por causa do alto valor e da dificuldade de negociação.
Além das prisões, a polícia apreendeu carros blindados, armas e desmontou o sistema de monitoramento usado pela quadrilha.
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