Julgamento de ex-governador Gladson Camelí é adiado pelo STJ

  • 15/04/2026
(Foto: Reprodução)
Gladson Camelí (PP) teve o julgamento adiado pelo STJ Diego Gurgel/Secom O julgamento do ex-governador do Acre Gladson Camelí (PP), previsto para ocorrer às 9h (horário de Brasília) desta quarta-feira (15) em Brasília (DF) e que foi alterado para as 14h, foi adiado novamente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não há nova data para retomada do julgamento. 👉 Contexto: Camelí é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A denúncia foi aceita pela Corte Especial do STJ em maio de 2024, dando início à fase de julgamento. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A ação penal que seria analisada nesta quarta estava na lista de pautas do dia. Contudo, ao g1, a assessoria do órgão informou que o julgamento foi retirado da ordem do dia pela Corte Especial. Não há informações sobre o que motivou o adiamento. Esta já é a quarta vez que o julgamento é suspenso ou adiado. Inicialmente, o caso seria analisado em 19 de novembro do ano passado. Contudo, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o STJ remarcou para 3 de dezembro, data esta modificada para 17 do mesmo mês, quando houve o voto da ministra Nancy Andrighi e suspensão após pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha. Após isto, a análise do processo foi marcada para esta quarta (15). Julgamento de Gladson Camelí é remarcado para abril pelo STJ Na última terça (14), a defesa de Camelí havia divulgado que o ministro André Mendonça, do STF, julgou procedente um pedido dos advogados e determinou a retirada de todas as provas produzidas entre 25 de maio de 2020 e 12 de janeiro de 2021 do processo. (Veja nota na íntegra abaixo) Na mesma decisão, o ministro determinou também o envio urgente da decisão ao STJ antes do julgamento marcado para esta quarta-feira (15). "A decisão do ministro André Mendonça reconhece que a decisão anterior da segunda turma do STF de usurpação de competência, com violação direta às garantias constitucionais do devido processo legal não foi efetivamente cumprida pela relatora", diz parte da nota da defesa. A análise do caso começou em dezembro do ano passado, quando a relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação do então governador em todas as acusações. Ela fixou pena de 25 anos e nove meses de prisão em regime inicial fechado, além da perda do cargo. No entanto, o julgamento foi suspenso após pedido de vista do revisor, ministro João Otávio Noronha. LEIA TAMBÉM: Quem é Gladson Cameli? Governador do Acre que teve pedido de afastamento feito pela PGR 'Confio na Justiça', diz governador do Acre após julgamento no STJ ser marcado Julgamento de governador do Acre é suspenso após pedido de vista; relatora votou pela condenação Paralelamente ao caso no STJ, o STF formou maioria, também em dezembro de 2025, para anular provas obtidas na investigação. A decisão atendeu a um pedido da defesa, que alegou irregularidades na apuração conduzida por autoridades locais sem autorização do STJ, foro competente para julgar governadores. Camelí também permanece submetido a medidas cautelares, como a proibição de contato com testemunhas e outros investigados, entrega do passaporte, impedimento de deixar o país e bloqueio de bens. Mailza Assis é a nova governadora do Acre Julgamento O STJ ia retomar nesta quarta-feira (15) o julgamento do ex-governador do Acre em uma ação penal que poderia resultar em condenação criminal, perda de direitos políticos e inelegibilidade. Em jogo estava o futuro político do ex-chefe do Executivo Estadual, que deixou o cargo no início de abril para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Com a saída, quem assumiu o comando do estado foi a então vice-governadora Mailza Assis. Além da inelegibilidade, uma eventual condenação também poderia resultar no cumprimento de pena em regime fechado, bloqueio de bens, pagamento de R$ 11 milhões de indenização e manutenção das medidas cautelares já impostas. Camelí formalizou a renúncia ao governo no dia 24 de março, com efeitos a partir de 2 de abril, em meio ao andamento do processo. Gladson Camelí (PP) saiu do cargo de governador do Acre no dia 2 de abril Pedro Devani/Secom Ptolomeu A investigação da Operação Ptolomeu teve início em 2019 e foi conduzida pela Polícia Federal (PF) . As denúncias envolvem a contratação da empresa Murano, com sede em Brasília, para prestar serviços ao governo do estado. A empresa teria subcontratado outra, localizada no Acre, que tem como sócio o irmão do governador, Gledson Cameli. Segundo a acusação, essa contratação resultou em um esquema de favorecimento financeiro ao governador e a outros envolvidos, causando prejuízos aos cofres públicos. Mesmo se tornando réu, ele foi mantido no cargo. Em dezembro de 2024, ele prestou depoimento. Seus advogados de defesa disseram, à época, que iriam apontar falhas no processo. Eles pontuaram ainda sobre HDs apreendidos que, supostamente, não foram periciados, e um relatório de inteligência financeira com informações “inconsistentes”. Entenda nesta reportagem as acusações contra Camelí e familiares. Nota da defesa de Gladson Camelí A defesa do ex-governador Gladson Cameli vem a público comunicar que, em 14 de abril de 2026, o Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos da Reclamação Constitucional n.º 93.197 MC/DF, julgou procedente o pedido formulado pela defesa e determinou o desentranhamento de todos os elementos de prova produzidos contra o reclamante no período compreendido entre 25 de maio de 2020 e 12 de janeiro de 2021, bem como de todas as provas diretamente delas derivadas, dos autos da Ação Penal n.º 1.076/DF, em tramitação perante a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na mesma decisão o ministro André Mendonça determinou, ainda, a expedição de comunicações com urgência ao Superior Tribunal de Justiça, para que o desentranhamento seja cumprido antes do prosseguimento do julgamento da Ação, cuja retomada estava prevista para esta quarta-feira 15 de abril de 2026. A decisão representa a concretização do acórdão proferido pela Segunda Turma do STF, que, por 4 votos a 1, já havia reconhecido a nulidade absoluta das provas obtidas naquele período de forma ilegal. A decisão do Ministro André Mendonça, reconhece que a decisão anterior da segunda turma do STF de usurpação de competência, com violação direta às garantias constitucionais do devido processo legal não foi efetivamente cumprida pela relatora. A defesa ressalta que a presente decisão não é isolada: trata-se da consequência jurídica direta e necessária do reconhecimento, pela própria Corte Suprema, de que parte do material probatório foi obtido de forma ilícita. Provas nulas não podem fundamentar qualquer condenação em um Estado Democrático de Direito. Reafirmamos a confiança nas instituições e aguardamos que o processo siga seu curso com estrita observância das garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal a todo e qualquer cidadão. Rio Branco /AC ou Brasília/DF, 14 de abril de 2026. Equipe de Defesa de Gladson Cameli VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/eleicoes/2026/noticia/2026/04/15/julgamento-de-gladson-cameli-e-adiado.ghtml


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